FOTÓGRAFA DE INÚMERAS CAMPANHAS E EDITORIAIS DE MODA, BRUNA CASTANHEIRA MOSTRA QUE EQUIPE AFINADA, IDENTIDADE PRÓPRIA E MUITO SUOR SÃO INGREDIENTES IMPRESCINDÍVEIS EM SEU TRABALHO.

 

Quando a mineira Bruna Castanheira resolveu fazer publicidade, sabia que estava no caminho certo. “Amo cinema e teatro. Queria ter sido atriz, mas acho que por ser muito comunicativa acabei escolhendo publicidade”, comenta durante nossa conversa. Antes mesmo de se formar, ela descobriu sua real vocação, a fotografia. Em Belo Horizonte, trabalhou como fotojornalista, mas foi em Juiz de Fora, onde foi fazer uma pós-graduação em cinema, que sua câmera começou a se tornar companheira inseparável. O “bico” que arrumou para registrar as pessoas que frequentavam uma balada famosa na cidade fez com que ela buscasse algo mais. “Comecei a gostar de dirigir as fotos e a fazer ensaios de modelos, dos meus irmãos, de todo mundo”, lembra. Pronto. Bruna despertou para a moda. Inquieta, lia revistas, devorava livros sobre o assunto, tudo alinhavado pela paixão pelo cinema. Naquele tempo, o que Bruna mais queria era ir para Nova York.

Começou a ajuntar dinheiro e, antes de transformar o sonho em realidade, escutou o conselho de sua mãe, que lhe disse que o melhor era, primeiro, ir para São Paulo. Na capital paulista, onde reside há nove anos, ela iniciou como assistente de fotografia para, logo depois, fazer books para as agências de modelo. “Naquela época, não havia esse boom de fotógrafos que fazem books, como há hoje. Éramos poucos”, diz. Bruna, hoje, está entre um seleto grupo de fotógrafos de moda que trabalha para as principais publicações do ramo. Entre as inúmeras capas de revistas (como L’Officiel, Vogue Kids, Cláudia) que já fez, considera duas especiais: uma com a atriz Taís Araújo e outra com Gaby Amarantos, ambas para a Boa Forma. “Foram capas importantes, porque abordavam temas relevantes, como a questão racial e a quebra de padrões estéticos”, revela. Mesmo quando não está fotografando editoriais, ensaios ou campanhas, o que pode significar 20 dias de trabalho ininterrupto, com diárias de até 15 horas, Bruna costuma não tomar distância do mundo fashion. Ela está sempre estudando, pesquisando ou assistindo filmes que a inspirem. 

Qual o seu melhor click até hoje?
Acho que o meu melhor click sempre será o que farei no próximo dia.

Como foi o início de carreira em São Paulo?
O início foi difícil, mas acredito que dei sorte de conhecer as pessoas certas, que me ajudaram nessa trajetória.

O que é necessário para se destacar como fotógrafo de moda?
A primeira coisa é a paixão. Olhar a imagem e saber que nela tem sua identidade. No caso, a minha identidade tem a ver com o belo em sua essência, aquela imagem que conforta. É aquele tipo de imagem que as pessoas vão olhar e achar linda e leve. Já fui mais dramática, hoje estou mais leve. A segunda coisa tem a ver com uma citação do mestre Ansel Adams, que levo para vida: ”Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com a sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu, as viagens que fez, as músicas que ouviu, as pessoas que amou.”

Quais os principais detalhes que não podem escapar ao profissional no momento de clicar um editorial de moda?
Composição, luz, direção e, claro, uma equipe super afinada. As pessoas, geralmente, costumam dar um crédito enorme para o fotógrafo e para o modelo. O que muita gente não sabe é que o produto pronto é um trabalho de equipe: o styling é a dupla do fotógrafo, a direção é quem vai determinar a melhor luz e o melhor enquadramento, por exemplo. O jeito que o styling coloca um casaco em cena é que vai deixar a imagem curiosa. Não bastasse isso tudo, quem assina o cabelo e a maquiagem também tem que estar em sintonia com o grupo todo.

Que tipo de estética está em alta em 2017?
Atualmente, a estética que mais se impõe na moda é o naturalismo: peles lindas , luz natural e quanto menos photoshop melhor.

De onde vem a inspiração para o seu trabalho?
Me inspiro muito no cinema e em fotógrafos que imprimem essa estética. Os cinemas francês e o italiano são uma fonte bastante inspiradora. Amo as composições e cores deles. Também me inspiro em fotógrafos como Peter Lindbergh, Venettia Scott, Emma Tempest, Richard Avedon, Sarah Moon, Irving Peen, David Bailey, Ansel Adams.

A moda está em constante evolução e, consequentemente, a forma de registrá-la também. Quais são os desafios mais comuns de sua carreira como fotógrafa de moda?
Acredito que o maior desafio é o de imprimir a minha personalidade em todos os trabalhos que faço.

Na sua opinião, como uma campanha bem feita pode ajudar na venda de algum produto?
Indo além da relação comercial. Ela deve criar uma identidade para a marca, despertando, assim, desejo e emoção.